Jornalismo ao pormenor

Descargas empurram Sul para cheias severas

A Administração Regional de Águas do Sul anunciou um aumento significativo das descargas nas barragens de Pequenos Libombos, Corumana e Massingir, que passam, respectivamente, de 118 para 360, de 50 para mil e de seis mil para quase 11 mil metros cúbicos por segundo. São volumes excepcionais que empurram o Sul do país para um cenário de cheias severas, colocando sob ameaça directa as comunidades que vivem a jusante, sobretudo nos distritos de Chókwè, Guijá, Macarretane, Chibuto, Limpopo, Sicacate e Xai-Xai, em Gaza.

Mais do que indicadores técnicos, estas descargas traduzem-se, no terreno, em águas que invadem bairros, destroem machambas, cortam estradas e forçam deslocações. Em várias localidades, a evacuação já está em curso, num ambiente marcado pela perda súbita de bens e incerteza quanto ao regresso.

A abertura das comportas resulta de um quadro hidrológico crítico, com barragens próximas de 90 por cento da capacidade, pressionadas pela chuva persistente e pelos caudais provenientes dos países a montante. Para proteger as infra-estruturas, liberta-se água; para as comunidades ribeirinhas, transfere-se o risco.

Num contexto em que o INAM prevê a continuação de chuvas fortes, cada nova descarga amplia não apenas os níveis dos rios, mas também o drama humano de populações que entram, mais uma vez, num ciclo de fuga, perda e reconstrução precária.

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