
Aulas adiadas em todo o país após cheias afectarem mais de 400 escolas
O Governo decidiu adiar para 27 de Fevereiro o início do ano lectivo de 2026 em todo o território nacional. Previstas inicialmente para esta sexta-feira, as aulas ficam suspensas por quase um mês, num reconhecimento implícito de que o sistema educativo não dispõe, neste momento, de condições mínimas para operar.
A decisão foi tomada durante a sessão ordinária do Conselho de Ministros, realizada em Xai-Xai, epicentro das cheias de Janeiro, que já afectaram perto de 700 mil pessoas em todo o país. No comunicado final, o Executivo fundamenta o adiamento com o impacto directo das inundações em 431 unidades escolares, um número que traduz a dimensão do abalo sofrido pela rede educativa nacional.
Os dados oficiais revelam um cenário de desarticulação profunda da escola como espaço de aprendizagem: 281 salas de aula totalmente destruídas, 80 escolas transformadas em centros de acolhimento, 218 estabelecimentos sitiados pelas águas e 167 sanitários arruinados. No plano humano, a crise atinge directamente 427.289 alunos e 9.204 professores, muitos deles deslocados, sem acesso às suas escolas ou privados de condições básicas de trabalho e estudo.
A escola, em vastas zonas do país, deixou de ser sala de aula para se tornar refúgio, posto de sobrevivência ou edifício abandonado pela força da água.
Segundo o comunicado, a deslocação do Governo a Gaza permitiu avaliar os danos nas infra-estruturas públicas e privadas e definir orientações para um Plano Global de Reconstrução Pós-Cheias.