Numa Conferência de Imprensa bastante concorrida, a Nova Democracia (ND) deu, nesta terça-feira, o primeiro passo rumo a uma nova etapa política com o lançamento oficial da I Conferência Nacional de Quadros, a realizar-se nos dias 5 e 6 de dezembro, na cidade de Maputo.
O evento, conduzido pelo presidente do partido, Salomão Muchanga, foi marcado por um discurso de forte carga simbólica e patriótica, onde o líder da ND reafirmou a necessidade de romper com o sistema político dominante e refundar a esperança nacional.
“Nós, a Nova Democracia, temos uma dívida com Moçambique. A nossa dívida não é fruto dos desvios de fundos, nem das dívidas ilegais, mas de um compromisso político com a mudança. É tempo de pagar essa dívida”, declarou Muchanga, sob aplausos.
A conferência, segundo explicou, tem como objetivo moldar consciências políticas, treinar quadros e renovar o compromisso com a causa democrática e libertária, envolvendo dirigentes, militantes e aliados em torno de uma agenda de ação estratégica para o período 2026–2029.
“Vamos socializar o partido com as perspectivas, desafios e oportunidades, fortalecer o fator ideológico e programático dos nossos quadros e consolidar um posicionamento claro sobre o desenvolvimento, o sistema político e o modelo de governação no quadro do diálogo nacional inclusivo”, sublinhou.
Muchanga destacou que Moçambique tem potencial suficiente para mudar de rumo, sublinhando que os problemas do país não residem na falta de recursos, mas na má governação e na corrupção institucionalizada.
Num tom simultaneamente crítico e inspirador, o presidente da ND descreveu um cenário de ressurgimento da consciência nacional, elogiando os professores, médicos, polícias e militares que, segundo disse, “já não temem o sistema”.
“Ainda há uma tocha acesa nas mãos deste povo sofrido. É agora ou agora. O choro dura uma noite, mas a alegria vem pela manhã”, afirmou.
A I Conferência Nacional de Quadros será, nas palavras de Muchanga, um reencontro de mentes e convicções, um espaço de redefinição ideológica e de preparação do partido para um novo ciclo de luta política.
“Vamos resgatar a dignidade humana, devolver o sorriso roubado e reconstruir a nossa moçambicanidade. Porque juntos, pagaremos a dívida que temos com Moçambique”, concluiu.
Nova Democracia quer debate público forte e forças de segurança republicanas
Durante a conferência de imprensa que marcou o lançamento da I Conferência Nacional de Quadros, o presidente da Nova Democracia, Salomão Muchanga, respondeu às perguntas dos jornalistas com um tom firme e incisivo, defendendo um combate real à corrupção, a necessidade de um novo regime político e o papel ativo da oposição no diálogo nacional inclusivo.
Questionado sobre o combate à corrupção, Muchanga foi direto: “Não bastam discursos, nem basta chamar os dirigentes à PGR. É preciso constituí-los em arguidos. Porque não se combate a corrupção à mando dos corruptos.”
Para o líder da ND, a corrupção e o regime atual são inseparáveis, e apenas uma mudança profunda poderá restaurar a justiça e a confiança pública: “Este regime e a corrupção são a mesma coisa. Há uma guerra que o Estado já perdeu. Só um novo governo poderá libertar Moçambique dessa teia que sufoca a nação.”
Respondendo a uma questão sobre o diálogo nacional inclusivo, Muchanga frisou que a Nova Democracia participará ativamente, mas sem abdicar da sua natureza combativa: “O diálogo não substitui a força da oposição. Vamos discutir o sistema político, a Constituição da República, a descentralização e a reconciliação nacional. Queremos forças de defesa e segurança republicanas, e não partidárias.”
O líder acrescentou que o partido se está a preparar para ter posicionamento político sobre cada tema-chave da agenda nacional, incluindo governação, sistema eleitoral e unidade nacional.
“Um país é o que é pelo debate público que tem. E nós queremos fertilizar as consciências e preparar os jovens para entrar nesse debate”, disse Muchanga.
A conferência contará com a presença de cerca de 254 delegados de todas as províncias, além de representantes da diáspora em Portugal, Alemanha, África do Sul, Suazilândia e Malawi.
“Queremos engajar os moçambicanos dentro e fora do país, porque a mudança é nacional e global”, afirmou o presidente.
Muchanga encerrou o encontro com uma nota de esperança, apontando para o “tapete verde” preparado para receber os jornalistas.
“Este tapete é o símbolo da esperança que estamos a construir. A nossa luta é pacífica, mas firme. E a vitória virá da organização, do debate e da coragem de servir Moçambique.”