Novos Dirigentes, Mesmo Sistema Falido: A Educação Moçambicana Continua à Deriva

A Primeira-Ministra voltou a anunciar “reformas”, “modernização” e “adaptação tecnológica”. O problema é que nenhuma dessas palavras tem um único exemplo real para mostrar. O Governo inaugura discursos, mas não inaugura mudanças.

O sector da educação é prova disso. É um sistema que envergonha o País, não pelos professores ou alunos – mas por uma máquina pública incapaz de se modernizar, de se responsabilizar e de admitir os seus fracassos.

O INECE é pressionado para garantir exames íntegros, mas não possui mecanismos eficazes para travar vazamentos. Todos os anos, novos escândalos. Nenhuma solução séria. Nenhuma prestação de contas.

Quem é responsável? Ninguém sabe. Ninguém nunca sabe.

O INED é chamado a assegurar ensino à distância em pleno século XXI, mas os centros são tão frágeis que, em alguns casos, os próprios estudantes precisam comprar dados móveis para assistir às aulas. Como falar de “plataformas digitais robustas” se o próprio Estado não garante conectividade básica?

O INDE recebe a missão de actualizar currículos, mas continua a funcionar como se a revolução tecnológica fosse um fenómeno distante. Enquanto o mundo discute inteligência artificial, Moçambique ainda luta para distribuir manuais escolares em tempo útil.

A Primeira-Ministra aposta na confiança nos novos quadros. Mas confiança não substitui reformas.

O país está cansado de discursos polidos. Cansado de cerimónias sem consequências. Cansado de ouvir há anos que “agora vai mudar”.

Nada muda porque ninguém mexe no essencial: responsabilização, transparência e ruptura com a cultura de promessas vazias.

Enquanto o Governo continuar a abordar a educação como um slogan e não como uma prioridade real, Moçambique continuará a perder gerações inteiras para a incompetência institucional.

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