Sete funcionários foram detidos em Maputo suspeitos de cobrar até 10% a fornecedores do Estado para desbloquear pagamentos.
Uma nova vaga de detenções está a abalar o Ministério das Finanças, na cidade de Maputo, num caso que volta a colocar sob escrutínio os mecanismos de gestão financeira do Estado e a integridade dos seus quadros.
Pelo menos sete funcionários da instituição foram detidos esta quinta-feira, no interior do próprio ministério, numa operação conduzida pelo Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC), com o apoio do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) e da Polícia da República de Moçambique (PRM).
As detenções foram efectuadas em cumprimento de mandados judiciais e estão relacionadas com suspeitas de corrupção envolvendo um alegado esquema de extorsão no Tesouro.
De acordo com informações apuradas por órgãos de comunicação social no local, os funcionários agora detidos são suspeitos de exigir pagamentos ilícitos a empresários e fornecedores do Estado. Em causa está a cobrança de comissões que podiam atingir até 10% do valor devido, como condição para que os processos de pagamento fossem desbloqueados e liquidados na totalidade.
Não é a primeira vez que o Ministério das Finanças é associado a este tipo de práticas. Em Dezembro do ano passado, funcionários da mesma instituição foram igualmente detidos, suspeitos de envolvimento em esquemas ilícitos ligados ao pagamento de reembolsos do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) e à liquidação de dívidas do Estado a fornecedores.
Para o sector privado, estes esquemas representam não apenas custos adicionais, mas também um entrave significativo à liquidez das empresas, afectando a confiança no Estado como parceiro contratual.
Até ao momento, as autoridades não avançaram detalhes sobre o número total de implicados nem sobre os próximos passos do processo, mas a operação em curso indica um reforço das acções de combate à corrupção em sectores considerados críticos.
Este caso poderá vir a ter implicações mais amplas, caso se confirme a existência de uma rede estruturada e persistente dentro do sistema financeiro do Estado.