Nova Democracia defende produção nacional de arroz e critica dependência externa

Partido considera importações “agenda retrógrada” e insta Governo a investir na produção local em larga escala

O partido Nova Democracia (ND) defendeu esta segunda-feira que Moçambique deve abandonar a dependência externa na importação de arroz e apostar de forma estruturada na produção nacional, considerando que o País reúne condições naturais, humanas e técnicas para garantir o auto-abastecimento.

Num comunicado assinado pelo seu líder, Salomão Muchanga, a ND sustenta que os moçambicanos “não precisam de arroz da China, Tailândia, Índia, Paquistão, Vietname ou Brasil”, defendendo a promoção de um produto “Made in Mozambique”, sobretudo por se tratar de um alimento de primeira necessidade para as camadas mais vulneráveis da população.

O partido critica o actual debate entre o Governo e o sector privado em torno da centralização das importações de arroz e trigo no Instituto de Cereais de Moçambique (ICM), classificando a medida como não estruturante e incapaz de responder aos desafios estratégicos do desenvolvimento agrícola.

No documento, a Nova Democracia considera que a contínua importação de arroz expõe a fragilidade das políticas públicas e a ausência de uma visão de desenvolvimento sustentável no sector agrário.

“Importar arroz é uma agenda retrógrada que exibe a nudez de um governo vazio em termos de política e programas de desenvolvimento”, afirma o partido, defendendo que o País passou de uma situação de dependência para uma de subserviência económica.

A ND argumenta que Moçambique dispõe de cerca de 36 milhões de hectares de terras aráveis, dos quais apenas cerca de cinco por cento são actualmente aproveitados, sublinhando a existência de vastas áreas baixas e húmidas adequadas ao cultivo do arroz.

Segundo o partido, não existem razões técnicas ou económicas que justifiquem a incapacidade do País em produzir arroz suficiente para o abastecimento nacional a preços acessíveis, uma vez que a mão de obra está disponível e a tecnologia agrícola necessária é compatível com o conhecimento local.

A ND aponta ainda aquilo que classifica como duas grandes contradições: por um lado, o arroz produzido em Moçambique sob tutela do Estado não estaria acessível à maioria da população; por outro, famílias rurais conseguem produzir arroz de subsistência com métodos tradicionais, enquanto o Governo não demonstra a mesma capacidade à escala nacional.

O líder da Nova Democracia defende uma inversão imediata de prioridades, apelando ao Governo para abandonar o foco nas importações e concentrar-se na produção local em larga escala, associando tecnologias agrícolas modernas aos conhecimentos comunitários.

De acordo com o partido, uma estratégia de produção nacional de arroz teria impactos directos no combate à pobreza e à desnutrição crónica, na redução do desemprego rural e na atracção de investimento estrangeiro para o desenvolvimento do País.

“A terra e a capacidade os moçambicanos já têm. Cabe ao Governo despertar”, conclui o comunicado.

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