Mulheres rejeitam promesssa de Gueta Chapo de oferecer capulanas e exigem dignidade, saúde e respeito

Após anúncio da iniciativa no âmbito das celebrações do Dia da Mulher, carta aberta sem assinaturas circula nas redes sociais, critica a proposta da Primeira-Dama e questiona prioridades do uso de recursos públicos.

A proposta da Primeira-Dama, Gueta Chapo, de oferecer capulanas às mulheres moçambicanas no âmbito das celebrações do Dia da Mulher desencadeou uma onda de reacções nas redes sociais, culminando com a circulação de uma carta aberta, sem assinaturas identificadas, que critica duramente a iniciativa e levanta questões sobre as prioridades do País.

A promessa de distribuição de capulanas foi apresentada como um gesto simbólico de valorização da mulher moçambicana, inserido nas actividades comemorativas da data, que tradicionalmente mobilizam acções sociais, culturais e institucionais em todo o País. No entanto, o documento que agora ganha visibilidade afirma que, apesar do valor cultural da capulana, a proposta surge num momento considerado inadequado, tendo em conta as dificuldades que as mulheres enfrentam no acesso a serviços básicos, sobretudo na saúde.

Na carta, as autoras – que não se identificam nominalmente – afirmam que não rejeitam o simbolismo, mas consideram que o gesto não responde às necessidades urgentes das famílias, destacando situações como falta de medicamentos, condições precárias em hospitais, ausência de camas e limitações no atendimento a mulheres grávidas e crianças. O texto questiona o sentido de celebrar com ofertas simbólicas num contexto de carências estruturais e apela a uma reorientação dos recursos públicos para áreas consideradas prioritárias, como saúde, assistência social e combate às desigualdades.

A mensagem assume um tom crítico e emocional, acusando o Estado de privilegiar acções de visibilidade em detrimento de soluções concretas, e defendendo que as mulheres moçambicanas não precisam de mais capulanas, mas sim de dignidade, segurança, justiça social e serviços públicos funcionais. Ao mesmo tempo, por não apresentar assinaturas nem identificação clara das autoras, a carta levanta dúvidas sobre a sua representatividade, embora o conteúdo esteja a gerar debate e partilhas entre cidadãos, activistas e utilizadores das redes sociais.

O episódio reacende a discussão sobre o equilíbrio entre iniciativas simbólicas e políticas públicas estruturantes no apoio às mulheres, num contexto em que organizações da sociedade civil têm defendido maior investimento em saúde materno-infantil, protecção social e combate à violência baseada no género.

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