Morte de administrador do BCI expõe sombra do crime organizado e reacende temor de “arquivos vivos” em Moçambique

De acordo com Nova Democracia

O partido Nova Democracia classificou como um acto de crime organizado a morte violenta do cidadão português Pedro Ferraz Correia dos Reis, Administrador do Banco Comercial e de Investimentos (BCI), ocorrida no dia 19 de janeiro de 2026, no Hotel Polana, em Maputo. Para a formação política, o caso insere-se num padrão recorrente de homicídios seletivos que têm vindo a fragilizar as instituições do Estado e a projetar uma imagem de insegurança de Moçambique junto da comunidade internacional.

Num comunicado divulgado esta semana, a Nova Democracia descreve o país como um “palco de sangue, violência e sequestros”, alertando para a atuação de alegados “esquadrões da morte”, responsáveis por assassinatos com o objetivo de silenciar detentores de informação sensível – os chamados “arquivos vivos”. Segundo o partido, estes crimes têm aterrorizado empresários, detentores de informação estratégica e agentes económicos, criando um ambiente em que o conhecimento relevante se transforma num risco de vida.

O partido sustenta que, pela sua posição como administrador bancário, Pedro dos Reis detinha informação considerada “quente” sobre branqueamento de capitais, lavagem de dinheiro, financiamentos ilícitos e fortunas suspeitas ligadas a sectores da elite do Estado. Dados que, segundo a Nova Democracia, frequentemente geram conflitos, ameaças e, em última instância, o silenciamento físico de quem os detém.

No comunicado, a morte do administrador do BCI é comparada a outros assassinatos que marcaram a história recente do país, como os de Siba-Siba Macuácua e do jornalista Carlos Cardoso, ambos associados a investigações sensíveis envolvendo interesses financeiros e económicos de grande peso.

A Nova Democracia desafia as autoridades moçambicanas e portuguesas a atuarem “com veemência” e dentro dos instrumentos legais nacionais e internacionais, defendendo a responsabilização criminal não apenas dos executores, mas também dos mandantes. O partido considera mais plausível a narrativa inicialmente avançada pela Polícia da República de Moçambique (PRM) e critica o que classifica como um “discurso viciado” do SERNIC, acusando o órgão de investigação criminal de proteger “bandidos milionários” e alimentar a impunidade.

A formação política, liderada por Salomão Muchanga, apresentou ainda condolências à família do banqueiro e declarou apoio à luta por “justiça imediata”.

Pedro Ferraz Correia dos Reis foi encontrado morto no seu quarto no Hotel Polana, um dos estabelecimentos mais emblemáticos da capital moçambicana. As circunstâncias exatas da morte continuam sob investigação, mas a natureza do crime e o perfil da vítima levantaram, desde o início, suspeitas de um homicídio com motivações que extravasam o foro comum.

Face à gravidade do caso e à nacionalidade da vítima, Portugal destacou uma equipa de peritos forenses para Moçambique, com o objetivo de acompanhar as investigações e garantir rigor técnico na apuração dos factos. A cooperação entre as autoridades dos dois países tem sido apresentada como crucial para o esclarecimento do crime.

Nas redes sociais, particularmente no Facebook, cidadãos portugueses manifestaram indignação e revolta, questionando a segurança dos seus compatriotas em Moçambique e exigindo justiça célere e transparente. Muitos utilizadores associaram o caso a um alegado clima de impunidade e à recorrência de crimes violentos envolvendo figuras ligadas ao setor financeiro e empresarial.

Enquanto as investigações prosseguem, o assassinato de Pedro dos Reis reacende o debate sobre crime organizado, captura do Estado e proteção de interesses ilícitos, colocando novamente Moçambique sob o escrutínio da opinião pública nacional e internacional.

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