Morreu Rosita Mabuiango, jovem moçambicana que ficou conhecida em todo o mundo por ter nascido numa árvore, no auge das cheias de 2000, no sul de Moçambique. Rosita perdeu a vida no Hospital Rural de Chibuto, na província de Gaza, onde se encontrava internada há vários dias, a lutar contra problemas de saúde. A notícia foi confirmada na manhã desta segunda-feira, provocando consternação entre familiares, vizinhos e residentes do bairro Chimundo, onde vivia.
Rosita tornou-se um dos rostos mais marcantes das piores cheias de que há memória recente no país. O seu nascimento, ocorrido a 1 de Março de 2000, emocionou Moçambique e a comunidade internacional, ao simbolizar a resistência da vida no meio da devastação provocada pelas águas do rio Limpopo.
A sua mãe, Carolina Chirindza, permaneceu durante quatro dias no alto de uma árvore, sem água nem alimentos, depois de a subida aos ramos ter sido a única forma de escapar à fúria das cheias. Foi ali, suspensa sobre a água enlameada, que entrou em trabalho de parto. A intervenção da sogra, também chamada Rosita, que utilizou uma capulana para amparar a criança e evitar que caísse, permitiu salvar a recém-nascida, que passou a carregar o mesmo nome.
Dias depois, mãe e filha seriam resgatadas por um helicóptero sul-africano, numa operação que correu o mundo e transformou Rosita num símbolo de esperança, resiliência e força do povo moçambicano perante as calamidades naturais.
Ao longo dos anos, Rosita cresceu longe dos holofotes, mas permaneceu como uma referência afectiva na memória colectiva. Numa entrevista concedida à agência France-Presse, aos 17 anos, afirmou sonhar em tornar-se engenheira petroquímica, motivada pelas descobertas de gás ao largo da costa moçambicana.