Morreu, esta manhã, o jornalista da Agência de Informação de Moçambique (AIM), Felisberto Firmino, vítima de doença, colocando fim a uma carreira de quase quarenta anos dedicada à recolha, tratamento e difusão da informação pública.
Natural da cidade de Chimoio, província de Manica, onde nasceu em Novembro de 1961, Felisberto Firmino construiu um percurso académico e profissional que espelha a história da formação do jornalismo moderno em Moçambique. Parte da adolescência viveu em Cuba, onde concluiu o ensino secundário, regressando mais tarde ao país para integrar a primeira geração formada no curso médio de Jornalismo, instituído pela então recém-criada Escola de Jornalismo.
A sua trajectória académica levou-o além-fronteiras. Graduou-se em Jornalismo na Universidade de Estudos de Urbino, em Itália, licenciou-se em Ciências da Comunicação, com habilitação em Jornalismo, pela Escola Superior de Jornalismo, e concluiu o mestrado em Cooperação e Desenvolvimento na Universidade Eduardo Mondlane (UEM), em Maputo.
Há quase quatro décadas integrava o quadro redactorial da sede da AIM, instituição onde construiu a maior parte da sua vida profissional e onde se afirmou como uma referência de rigor, memória institucional e compromisso com o serviço público de informação.
Para além do trabalho noticioso diário, Felisberto Firmino deixou também marca na produção intelectual. Em 2004 lançou a obra “Moçambique: Dívidas Ocultas na Voz dos Protagonistas”, um livro que procura reconstituir, através de múltiplas vozes, os diferentes momentos e personagens de um dos casos mais sensíveis da vida política e financeira recente do país. A obra, prefaciada pelo académico italiano Luca Bussotti, foi editada pela Kulera e apresentada por José Paulino Castiano, professor de Filosofia Africana e então vice-reitor académico da Universidade Pedagógica de Maputo.
Paralelamente à actividade jornalística, Felisberto exerceu docência na Escola de Jornalismo, contribuindo para a formação de novas gerações de profissionais e para a consolidação de uma cultura jornalística baseada no conhecimento, na ética e na responsabilidade social.