Mógas provoca reflexões sobre identidade e estética na Galeria Arte de Gema

Há silêncios que atravessam gerações. Eles se escondem nas rotinas, nos gestos automáticos, nas escolhas que fazemos sem perceber. Outros, porém, transformam-se em gritos, em afirmações conscientes de quem decide não mais se calar. Entre esses extremos — o que se herda e o que se contesta — está a identidade, sempre em movimento, sempre em disputa.

É sobre esse terreno ambíguo que o artista Mógas constrói “Identidade e Ambivalências da Estética”, exposição que estreou neste sábado, 05 de Julho, na Galeria Arte de Gema. Com uma pesquisa intensa e uma estética provocadora, Mógas convida o público a um mergulho nas camadas visíveis e invisíveis que moldam quem somos — e como escolhemos aparecer no mundo.

Mais do que um simples exercício visual, a exposição é o resultado de dois anos de pesquisa intensa, marcada por leituras, diálogos, investigações em arquivos e visitas a museus. O artista reconhece que este é apenas o início de um processo contínuo e urgente.

“Este trabalho não está terminado. Alguém precisa continuar. É um documento que não pode ser esquecido. Quando falamos de identidade, não podemos limitar-nos a aspectos superficiais. É preciso escavar dentro de nós, entender o que conseguimos — e precisamos — discutir e reivindicar, principalmente na época em que vivemos,” declarou Mógas durante a abertura.

Para Mógas, cada obra presente na exposição carrega uma carga simbólica densa, resultado de um processo de escuta e inquietação. O artista revela que sua pesquisa foi muito além das paredes do atelier: envolveu conversas, partilhas e o esforço de mapear as raízes profundas da estética e da identidade.

A curadora Élia Gemuce destacou que a exposição marca uma viragem significativa no percurso artístico de Mógas, propondo uma nova estética.

“Mógas, que muitos conheciam por uma linha estética distinta, aqui apresenta uma nova provocação. Esta não é apenas uma exposição para contemplar; é um convite ao questionamento. Homens e mulheres são chamados a reflectir sobre as camadas que constroem a nossa identidade e também aquelas que nos são impostas,” afirmou Gemuce.

Um dos elementos centrais das obras é o cabelo crespo, tratado não apenas como um traço físico, mas como um território simbólico, onde se inscrevem histórias de resistência, dor, orgulho e reinvenção. O cabelo torna-se aqui tanto espelho como denúncia: um símbolo das escolhas que herdamos em silêncio e daquelas que decidimos gritar ao mundo.

“Cada obra carrega, entre fios e imagens, a tensão entre pertencimento e negação, entre o natural e o que foi normatizado, entre o que nos foi imposto e o que escolhemos reivindicar. Este é um espaço para ver, mas sobretudo para escutar. Que possamos sair daqui não apenas com imagens, mas com novas perguntas sobre as nossas heranças e escolhas,” completou Élia.

 

Exposição: Identidade e Ambivalências da Estética

Artista: Mógas

Curadoria: Élia Gemuce

Local: Galeria Arte de Gema

Abertura: 05 de Julho de 2025

 

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