A visita da delegação argelina à Central Termoeléctrica de Maputo marca mais do que um encontro técnico: representa um novo capítulo de cooperação energética entre Moçambique e a Argélia, dois países com visões convergentes sobre o papel da energia no desenvolvimento africano.
O encontro, diga-se, técnico, entre o Presidente do Conselho de Administração (PCA) da Electricidade de Moçambique (EDM) Joaquim Henriques Ou-Chim e o Secretário-Geral da Sonelgaz – empresa pública do sector de energia na Argélia, Nabil Kafi, ontem, durante a visita da delegação argelina à Central Termoeléctrica de Maputo, mostrou que a integração energética africana já não é apenas um sonho político, mas uma necessidade económica e estratégica para o continente.
“Estamos com cerca de 63% da população com energia”, recordou o PCA da EDM, salientando que em 2020 o número era de apenas 30%. O País duplicou o acesso à eletricidade em cinco anos, um marco que poucos países africanos conseguiram atingir no mesmo período.
O objetivo é claro: atingir 100% de acesso universal até 2030, um compromisso que se insere no programa “Energia para Todos”, coordenado pela EDM com apoio de parceiros bilaterais e multilaterais.
“Queremos aproveitar essas experiências, sobretudo na área de fabrico de equipamentos e formação técnica”, afirmou o dirigente, sublinhando que a Argélia “já atingiu 100% da população com acesso à energia, e nós estamos a caminho disso”.
Do lado argelino, Nabil Kafi destacou o orgulho da Sonelgaz em colaborar com a EDM e elogiou a qualidade técnica das centrais moçambicanas e o dinamismo dos jovens engenheiros locais. “Vimos uma central moderna gerida por jovens. Isso é encorajador”, disse o Secretário-Geral da Sonelgaz, acrescentando que “a África deve ser construída pelos africanos” e que Argélia e Moçambique partilham uma história comum e um futuro energético convergente.
A Sonelgaz, com décadas de experiência em produção, transporte e distribuição de eletricidade e gás, comprometeu-se a transferir conhecimento técnico e industrial, apoiando Moçambique na criação de fábricas locais de componentes elétricos e na formação de quadros especializados.
Trata-se de uma abordagem que vai além da simples cooperação técnica – é uma estratégia de soberania energética continental.
Para a EDM, esta aliança simboliza reconhecimento e confiança internacional. A Sonelgaz – uma das maiores companhias energéticas de África – elogiou o nível de gestão e manutenção das infraestruturas moçambicanas, considerando-as “de padrão internacional”. O acordo abre caminho à criação de equipas técnicas conjuntas para identificar projetos prioritários nas áreas de geração, transporte, gás e formação. Com a Argélia já interligada e 100% eletrificada, Moçambique encontra um modelo africano de sucesso que pode acelerar a sua transição energética e reduzir desigualdades regionais.
O discurso convergente entre Ou-Chim e Kafi traduz um novo paradigma na cooperação sul-sul africana: conhecimento partilhado, industrialização inclusiva e protagonismo africano nas suas próprias soluções.
A energia, neste contexto, deixa de ser apenas uma infraestrutura – torna-se um instrumento de emancipação económica e social. Com 63% de cobertura e metas claras para 2030, a EDM não fala mais de intenções, mas de resultados. E ao lado da Sonelgaz, Moçambique aproxima-se de transformar a sua matriz energética num pilar de desenvolvimento sustentável, à altura dos grandes desafios do continente.