O Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME) reuniu-se esta quinta-feira com jornalistas, na cidade de Maputo, para expor o actual contexto do subsector de combustíveis e alertar para os impactos crescentes das tensões internacionais sobre o mercado nacional.
O encontro, promovido pela Direcção Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis, surge num momento em que o sector enfrenta pressões externas significativas, sobretudo devido à instabilidade geopolítica no Médio Oriente, que tem vindo a influenciar directamente os preços dos produtos petrolíferos e os custos logísticos associados.
Segundo dados partilhados pelo MIREME, o custo de transporte de petróleo registou uma subida acentuada, passando de cerca de 5 dólares por barril, em Janeiro, para aproximadamente 13,78 dólares por barril após o agravamento da crise internacional. Esta evolução agrava a factura de importação de combustíveis, num contexto em que as receitas geradas no mercado doméstico se mostram insuficientes para acompanhar o ritmo dos custos externos.
De acordo com o Ministério, esta discrepância representa um risco crescente para a sustentabilidade do sector, podendo, caso a tendência se mantenha, levar à adopção de medidas extraordinárias para garantir a continuidade do abastecimento no país.
Apesar da pressão internacional, o MIREME esclarece que os efeitos sobre os preços internos não são imediatos, devido ao modelo de importação e formação de preços vigente em Moçambique. Ainda assim, alerta que os impactos tendem a reflectir-se de forma gradual nos custos de reposição dos combustíveis.
Perante este cenário, o Governo assegura que está a monitorar continuamente a evolução do mercado internacional, avaliando diferentes cenários e ajustando as suas estratégias para preservar a estabilidade do abastecimento e a sustentabilidade do sistema energético.
No encontro, o Ministério apelou também a uma cobertura mediática responsável, sublinhando a necessidade de evitar a disseminação de informação alarmista e de promover uma compreensão equilibrada do contexto actual.
Paralelamente, foi destacada a importância do uso racional de combustíveis, num momento em que a eficiência energética se torna um factor central para mitigar os impactos económicos sobre consumidores e empresas.
O Executivo reafirma, por fim, o compromisso de continuar a trabalhar em articulação com os diversos intervenientes do sector, com vista a assegurar o fornecimento regular de combustíveis e a protecção dos interesses dos consumidores.