O jornalista e comentador Hamilton António defende que a Zambézia deve começar a discutir, com transparência, a possibilidade de transferir a capital provincial de Quelimane para Mocuba, apontando limitações territoriais, urbanísticas e ambientais que, na sua leitura, condicionam a expansão da actual capital.
A posição foi apresentada recentemente numa entrevista à estação Zambézia 24h, na qual Hamilton António considerou Mocuba uma alternativa com maior disponibilidade de espaço e potencial para acomodar uma expansão urbana estruturada.
“Na minha opinião, devia-se transferir a cidade de Quelimane para um outro local com melhores condições”, afirmou, apontando inicialmente Nicoadala como uma possibilidade, mas defendendo que “mais do que Nicoadala, podia-se transferir a cidade de Quelimane para Mocuba”.
Para o comentador, Mocuba apresenta uma dinâmica urbana que pode favorecer uma eventual transformação da cidade num novo centro provincial. Destacou a existência de infra-estruturas económicas, uma zona económica franca e áreas disponíveis para expansão, embora reconheça a necessidade de reabilitar infra-estruturas afectadas durante a guerra dos 16 anos.
Hamilton António sustenta ainda que Mocuba dispõe de uma dimensão territorial superior à de Quelimane, permitindo pensar numa expansão urbana com maior disponibilidade de terra.
A proposta, contudo, não passa apenas pela mudança física da capital. Segundo o comentador, o processo deveria começar pela transferência progressiva de serviços fundamentais para a nova área urbana, criando condições para que população, actividade económica e instituições acompanhem esse movimento.
Como exemplo, recordou a visão atribuída ao antigo dirigente Bonifácio Gruveta, que, segundo afirmou, defendia a instalação de importantes infra-estruturas públicas em Nicoadala, incluindo o Hospital Central de Quelimane e uma instituição universitária, como forma de estimular o crescimento daquela zona.
Hamilton António citou igualmente o processo de expansão de Mocuba para o sul, mencionando a instalação de sistemas de abastecimento de água e energia, bem como o parcelamento de terrenos, como exemplos de medidas que podem preparar o crescimento de uma cidade para novas áreas.
A crítica mais directa do comentador incide, entretanto, sobre as limitações de Quelimane. Segundo Hamilton António, a cidade encontra-se condicionada pela sua localização e pela ocupação urbana em zonas de baixa altitude e terrenos pantanosos, situação que dificulta uma expansão organizada.
“Quelimane já não há condições”, afirmou, antes de apontar problemas de ordenamento urbano em bairros como Torrone, onde, segundo relatou, a elevada densidade habitacional terá chegado a situações em que “o banho de alguém está no quintal do outro”.
A intervenção coloca, assim, uma questão mais ampla para a Zambézia: deve a província continuar a concentrar a sua expansão em Quelimane ou começar a preparar uma nova centralidade provincial em Mocuba?
Por enquanto, trata-se de uma proposta apresentada por Hamilton António no debate público. Mas, ao colocar Mocuba no centro da discussão, o comentador introduz uma questão de planeamento territorial que ultrapassa a simples mudança da sede administrativa e envolve infra-estruturas, habitação, serviços públicos, mobilidade, disponibilidade de terra e futuro crescimento urbano da Zambézia.
[…] membro da equipa de planeamento urbano da cidade de Quelimane, José Norberto, rejeita a ideia de transferência da capital da Zambézia para Mocuba ou Nicoadala, defendida pelo jornalista e comentador Hamilton António, e […]