Governo inicia descarga de barragens devido ao aumento dos níveis de armazenamento causado pelas chuvas

A intensificação das chuvas a montante de várias bacias hidrográficas está a obrigar as autoridades a accionarem descargas controladas em algumas barragens do país, numa tentativa de criar capacidade de encaixe e reduzir o risco de situações de emergência. A medida, embora técnica e preventiva, ocorre num contexto em que as precipitações já estão a provocar inundações e prejuízos em zonas urbanas e rurais, sobretudo no sul do país.

Um dos exemplos é a barragem dos Pequenos Libombos, na bacia do Umbeluzi, que se encontra com cerca de 83 por cento da sua capacidade de armazenamento, um nível considerado elevado para esta fase da época chuvosa. Durante uma visita à infra-estrutura, o ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael, explicou que o patamar desejável situa-se em torno dos 75 por cento, por razões de segurança, sublinhando que as descargas em curso visam salvaguardar a integridade da barragem e prevenir cenários de sobrecarga.

Segundo o governante, o mesmo procedimento está a ser adoptado noutras barragens das regiões centro e norte, igualmente pressionadas pelo aumento dos caudais. A estratégia reflecte uma abordagem de gestão preventiva dos recursos hídricos, procurando antecipar picos de cheia que, nos últimos anos, têm causado danos significativos em infra-estruturas, habitações e sistemas produtivos.

No entanto, no terreno, os efeitos das chuvas já são visíveis. Na região metropolitana do Grande Maputo, as precipitações que se registam desde sexta-feira voltaram a trazer à tona o drama recorrente das inundações, com milhares de famílias afectadas e a enfrentar perdas materiais. Até ao último balanço, cerca de 90 hectares de culturas encontravam-se submersos, atingindo directamente 140 agricultores, num cenário que ameaça meios de subsistência e segurança alimentar.

Na província de Gaza, o distrito de Massingir também regista impactos, com pelo menos 54 casas alagadas em consequência das chuvas intensas, sinal de que os sistemas de drenagem e a ocupação de zonas vulneráveis continuam a agravar os efeitos dos fenómenos climáticos.

 

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