O acesso ao financiamento continua a ser um dos maiores obstáculos para o crescimento das micro, pequenas e médias empresas em Niassa. Para enfrentar esse desafio, o Governo moçambicano está a apostar no Fundo de Garantia Mutuária, um instrumento financeiro concebido para facilitar o crédito bancário às empresas que possuem projectos viáveis, mas carecem de garantias suficientes.
O mecanismo foi apresentado este domingo em Lichinga, durante uma sessão de socialização dirigida ao sector empresarial local. Na ocasião, a governadora provincial, Elina Judite Massengele, explicou que o fundo não concede financiamento directamente, mas actua como um instrumento de partilha de risco entre o Estado e os bancos comerciais.
“Este mecanismo permite aumentar a confiança das instituições financeiras e ampliar o acesso ao crédito para as empresas que têm projectos viáveis, mas enfrentam dificuldades em apresentar garantias tradicionais”, afirmou a governadora.
Como funciona o mecanismo
Na prática, as empresas continuam a solicitar financiamento directamente junto dos bancos comerciais. As instituições financeiras analisam a viabilidade do projecto e, caso os critérios sejam cumpridos, parte do risco do empréstimo é coberta pelo fundo.
Esse modelo reduz a exposição dos bancos e, ao mesmo tempo, abre espaço para que mais empreendedores tenham acesso a capital para investir, expandir negócios ou iniciar novas actividades económicas.
O fundo conta com uma dotação inicial de 120 milhões de dólares, cerca de 7,6 mil milhões de meticais, e é gerido pela Sociedade de Garantia de Moçambique. Segundo dados apresentados no encontro, o mecanismo já viabilizou mais de 200 empréstimos, contribuindo para o fortalecimento do sector privado e a criação de emprego.
Durante o evento, foi igualmente apresentada uma iniciativa da Associação Moçambicana de Bancos que prevê uma linha global de crédito bonificado de 10 mil milhões de meticais, destinada a apoiar empresas afectadas por manifestações.
O pacote inclui a reestruturação de financiamentos existentes e novas linhas de crédito para micro, pequenas e médias empresas, com valores que podem chegar a 20 milhões de meticais por projecto. As condições incluem juros a partir de 13%, isenção de comissões e validade do programa até Dezembro de 2026.
Expectativas do sector privado
Para o presidente da delegação provincial da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) no Niassa, Inocêncio Sotomane, o sucesso do fundo dependerá da rapidez com que os bancos operacionalizarem o mecanismo.
“O sector produtivo precisa que estas iniciativas cheguem rapidamente às empresas. Se bem implementado, o fundo pode dinamizar a economia da província”, afirmou.
Com vastas áreas agrícolas e potencial para agro-negócio, o Niassa procura posicionar-se como um dos principais pólos de produção alimentar do país. A melhoria do acesso ao financiamento é vista como um elemento chave para transformar esse potencial em investimento produtivo, sobretudo entre jovens empreendedores.