Em plena quadra festiva, quando o País se prepara para celebrar o Natal, a Nova Democracia (ND) lança um comunicado devastador que rasga o véu da festividade e expõe, sem rodeios, o que chama de “a face cruel e insensível da governação” em Moçambique. Sob o lema “Ou todos ou ninguém”, o partido denuncia fome, miséria, exclusão social e abandono das classes que sustentam o País com o próprio sangue.
Num texto carregado de simbolismo, dor e indignação, a ND questiona: como celebrar onde há guerra, fome e salários de miséria? Para o partido, não há alegria possível enquanto médicos, enfermeiros, professores, soldados, camponeses e crianças sobrevivem em condições que classifica como desumanas.
O comunicado aponta o dedo ao Governo por, alegadamente, abandonar médicos e enfermeiros à própria sorte. Profissionais que lidam diariamente com feridas abertas, sangue, contaminações e risco de morte, mas que — segundo a ND — continuam sem subsídio de risco, sem plano de saúde e com salários que “gritam desprezo e exclusão”. Greves e marchas, diz o partido, têm sido respondidas não com soluções, mas com polémicas e acusações.
A situação dos militares em Cabo Delgado é descrita como trágica e humilhante. Soldados que, segundo a ND, atravessam matas dominadas pelo terror sem alimentação adequada, morrendo de fome e sede, obrigados a mendigar pão seco às populações igualmente empobrecidas. Enquanto isso, acusa o partido, os recursos minerais da região seguem para o estrangeiro, longe do sofrimento local.
Nas zonas rurais, professores continuam a ensinar em salas superlotadas, casas de palha e à luz de candeeiros. Inalam pó de giz, improvisam material escolar e enfrentam turmas com mais de 100 alunos. Em troca, recebem — segundo a ND — salários indignos, incompatíveis com a missão de formar o futuro do País.
Crianças, idosos, pessoas com deficiência e mendigos são descritos como vítimas diretas de uma governação que o partido classifica como “cruel e insensível”. Para a ND, são cidadãos cujos direitos foram substituídos pela exclusão, pela violência, pela repressão policial e pela marginalização social.
Natal para quem?
Diante deste cenário, a Nova Democracia desafia o Governo a criar um Natal Solidário Nacional, com abastecimento alimentar, cabazes para orfanatos, asilos, hospitais e prisões, festas comunitárias e apoio direto aos mais necessitados. Caso contrário, adverte o partido, “não haverá festa — haverá choro coletivo”.
“Se assim o fizer, celebremos todos. Caso contrário, choremos todos”, lê-se no comunicado assinado por Salomão Muchanga, Presidente da ND.
O recado está lançado. Para a ND, Moçambique chegou a um ponto de ruptura moral e social: ou o Natal será de todos, ou não será de ninguém.