A Electricidade de Moçambique (EDM) mantém temporariamente cortado o fornecimento de energia em várias regiões afetadas pelas cheias e inundações, incluindo parte do Chócwê, baixa de Xai-Xai, . Segundo o diretor de Distribuição, Luís Amado, a decisão visa proteger clientes e instalações, minimizando riscos elétricos, mesmo em localidades com infraestruturas preparadas para resistir a inundações.
“Em Xai-Xai, por exemplo, toda a rede segue padrões resilientes, com postes de betão e subestações elevadas, mas mantivemos o corte preventivo enquanto as águas não baixam”, explicou Amado.
As chuvas intensas provocaram alagamentos em bairros e linhas de média tensão, afetando centenas de clientes e comunidades agrícolas. Em Moamba, cerca de 12 agricultores e aldeias ficaram sem energia devido ao transbordamento do rio Maputo, que também arrastou aproximadamente 800 metros de linha. Em Chókwè, rios transbordaram e inundaram postes de transformação, enquanto que as subestações de Lionde e Chicumbane que são estratégicas e representam o coração de fornecimento de energia a a província de Gaza mantiveram-se seguras ativas, reforçando a resiliência das infraestruturas mais críticas.
Para enfrentar a situação, a EDM mobilizou mais de 300 técnicos para inspeção, limpeza e reposição de redes, atuando inclusive em locais de difícil acesso, muitas vezes com água acima da cintura. O custo preliminar da intervenção é estimado em 140 milhões de meticais, incluindo reposição de cabos, contadores e outros equipamentos, além do fornecimento emergencial de energia a centros de acolhimento e hospitais.
Amado sublinhou que os cortes refletem uma política de prevenção adotada especialmente em períodos de chuvas e inundações, e não falhas nas infraestruturas. A prioridade é garantir segurança, mesmo em regiões com redes projetadas para resistir a eventos climáticos extremos.
Além das ações emergenciais, a EDM avança com um Plano Diretor até 2043, avaliado em 3 mil milhões de dólares, que prevê expansão, reforço da caoacidade de produção de energia eléctrica, reforço e expansão da rede de tranaporte e distribuição e modernização da rede elétrica nacional. O plano contempla ainda infraestruturas resilientes, acesso universal e capacidade de suportar fenômenos climáticos severos. “É uma visão de longo prazo: ligar mais de 400 mil novos clientes por ano, mantendo segurança e qualidade no fornecimento, mesmo em épocas de chuvas intensas”, afirmou o diretor.
Entre os projetos de modernização estão o reforço de linhas de transmissão e distribuição, substituição de postes de madeira por betão ou metal, melhorias em subestações e interligações estratégicas que permitem realimentar clientes mesmo quando um ponto de distribuição precisa ser desligado.
“Nosso objetivo é que cada intervenção seja rápida, segura e cause o mínimo de interrupções. As cheias recentes reforçam a importância de termos uma rede preparada para o clima e para o desenvolvimento do País”, concluiu Amado.