Digitalização? Modernização? O Governo Repete Slogans Enquanto o País Continua Parado no Tempo

O discurso da Primeira-Ministra, na tomada de posse de novos dirigentes do sector da Justiça e da Educação, foi mais um capítulo da velha novela governamental: repetir promessas como se fossem conquistas. A cada nomeação, ouvimos que tudo vai mudar. A cada ano, descobrimos que nada mudou.

A digitalização da justiça, por exemplo, é um mantra repetido há mais de dez anos. Porém, a realidade é que muitos tribunais funcionam como armazéns de papel: processos empilhados, computadores obsoletos, sistemas que caem com facilidade e uma dependência infantil de carimbos e pastas. A modernização existe apenas nos discursos de cerimónia – na prática, continua-se a governar com ferramentas do século passado.

Na educação, a retórica é ainda mais frustrante. A Primeira-Ministra afirma que o INECE, INED e INDE são pilares estratégicos. Se são pilares, então estão rachados.

O país assiste, todos os anos, a escândalos de vazamentos de exames que o Governo parece incapaz de eliminar. É uma vergonha nacional que mina a confiança dos estudantes e mostra, sem filtros, que o sistema é frágil e vulnerável.

O ensino à distância é apresentado como solução moderna, quando na verdade muitos centros não têm internet, computadores, tutores suficientes ou sequer edifícios em condições. Um país que não consegue garantir energia eléctrica em todas as escolas promete revolução digital — é difícil não rir para não chorar.

E sobre o currículo nacional? Continua desfasado da realidade global. O mundo cria profissões novas a cada seis meses; Moçambique continua a ensinar para um mercado laboral que já não existe.

O Governo fala de competência dos empossados, mas a questão é outra: onde está a competência do sistema que os recebe?

Não é possível transformar nada quando a estrutura inteira é lenta, burocrática e avessa à inovação.

O País não precisa de mais discursos a prometer o futuro.

Precisa de coragem para enfrentar o presente – e isso, infelizmente, continua ausente no topo do Estado.

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