O presidente da Nova Democracia (ND), Salomão Muchanga, defende que o Diálogo Nacional inclusivo deve ser entendido como o referencial do povo e a essência da refundação do Estado. Para o dirigente, este processo representa não apenas uma oportunidade histórica de reconciliação, mas também a possibilidade de construir um novo contrato social, assente na unidade e na participação efetiva de todos os segmentos da sociedade.
Muchanga sublinha que o lançamento da consulta nacional marca apenas o início de uma longa caminhada. Estão previstos dois anos de auscultação popular, durante os quais serão recolhidas, sistematizadas e apresentadas as principais preocupações e propostas da população. O objetivo é que, no final, o País disponha de um diagnóstico realista das suas fragilidades e de um conjunto de soluções construídas de forma inclusiva.
Segundo Muchanga, há razões para um “optimismo responsável” em relação ao processo, cuja legitimidade advém precisamente da sua abrangência. “Não há memória no País de um diálogo tão inclusivo quanto este. O seu grande mérito está no facto de se constituir como síntese da unidade e da inclusão sem precedente na história política contemporânea”, sublinhou.
Embora reconheça o papel central dos partidos políticos no funcionamento da democracia, o presidente da ND defende que o Diálogo Nacional vai além dessa dimensão formal. “A democracia não se resume aos partidos, mas é impossível sem eles. O entusiasmo da sociedade civil, a sua afirmação espontânea e mesmo a participação de organizações ainda em fase de estruturação mostram que o processo tem vida própria e raízes no seio do povo”, afirmou.
Na sua óptica, esta dinâmica traduz-se na expressão máxima da democracia participativa, que surge como fator de equilíbrio e moderação da democracia representativa. O envolvimento da sociedade civil, das comunidades locais e de diversas sensibilidades sociais e culturais reforça a legitimidade do processo e amplia a sua capacidade de responder às carências e aspirações nacionais.
Para o presidente da Nova Democracia, o Diálogo Nacional poderá constituir-se como um marco de viragem na história política moçambicana, capaz de inaugurar uma nova era de consensos e de fortalecimento das instituições.
No entender de Muchanga, mais do que um exercício político, trata-se de uma refundação do Estado, cujo êxito dependerá da capacidade de todos os intervenientes- partidos, sociedade civil, comunidades e cidadãos – de colocar o interesse nacional acima de agendas particulares.