O número de mortos no desabamento de galerias numa mina de coltan em Rubaya, no leste da República Democrática do Congo (RDC), poderá atingir 300, segundo estimativas de líderes comunitários citados pela EFE, à medida que continuam a ser retirados corpos da lama por moradores e equipas informais de resgate. Os dados iniciais apontavam para mais de 200 vítimas, mas as autoridades reconhecem que o balanço tende a subir.
O colapso, associado a deslizamentos de terra após chuvas intensas, atingiu um dos maiores complexos de mineração artesanal do país, responsável por parcela significativa da produção global de tântalo, metal extraído do coltan e essencial para a indústria electrónica e de baterias. Testemunhos recolhidos por agências internacionais descrevem túneis escavados manualmente, sem engenharia de suporte, onde centenas de mineiros operavam simultaneamente, ampliando o efeito em cadeia do desmoronamento.
A actividade de mineração naquela região é dominado por exploração informal, ausência de regulação e condições laborais extremas, incluindo trabalho infantil. Rubaya está sob controlo do grupo rebelde M23 desde 2024, que, segundo relatórios das Nações Unidas, financia parte das suas operações cobrando taxas sobre o comércio de minério. O coltan permanece uma das principais fontes de rendimento local, o que sustenta a continuidade de actividades de alto risco.
A resposta institucional foi limitada: a administração regional sob controlo rebelde anunciou a suspensão temporária das minas e a retirada de famílias que viviam em habitações improvisadas ao redor das escavações. No terreno, porém, residentes denunciam a falta de assistência estruturada, sendo a própria comunidade a liderar buscas por desaparecidos, num cenário que combina luto colectivo e colapso de serviços básicos.
O desastre insere-se num contexto mais amplo de instabilidade crónica no leste congolês, região estratégica em minerais e palco de conflitos armados persistentes. A RDC responde por cerca de 40% da produção mundial de coltan e enfrenta uma das maiores crises humanitárias globais, com mais de sete milhões de deslocados. Mesmo após acordos diplomáticos recentes envolvendo Ruanda e mediação dos EUA, a disputa por recursos continua a alimentar violência e vulnerabilidade civil.