Chuvas e cheias fazem 94 vítimas e mantêm milhares em situação de risco

O país regista 94 mortes em resultado de afogamentos e descargas atmosféricas, desde o início da actual época chuvosa e ciclónica, um balanço que reflecte a severidade dos fenómenos em curso e a elevada exposição das comunidades que vivem em zonas de risco.

A informação foi avançada pela presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Luísa Meque, após um sobrevoo às áreas afectadas pelas inundações nos distritos de Machanga, na província de Sofala, e Govuro, em Inhambane. Nesta última, o risco de transbordo do rio Save mantém sob ameaça a sede distrital de Nova Mambone, evidenciando um cenário de pressão crescente sobre as populações ribeirinhas e sobre as autoridades de protecção civil.

Segundo explicou, a maioria das vítimas por afogamento perdeu a vida ao tentar atravessar cursos de água, um dado que, para além do drama humano, expõe fragilidades persistentes ao nível da prevenção, da mobilidade segura e da percepção do risco nas comunidades.

Mais de mil famílias em centros de acolhimentos

Paralelamente, pelo menos 1.048 famílias encontram-se acolhidas em centros temporários nas províncias de Maputo e da Zambézia, após terem sido afectadas pelas chuvas intensas que se têm abatido um pouco por todo o país. Deste total, 1.007 famílias estão nos centros de Gugurune e Parreirão, na Zambézia, enquanto 41 agregados se encontram em Nkobe e Nwamatibjwana, na província de Maputo. Estes números traduzem um impacto social imediato marcado por deslocações forçadas, ruptura do quotidiano e aumento da dependência de assistência humanitária.

Apesar de um ligeiro abrandamento da precipitação nos últimos dias, o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê um novo agravamento das condições atmosféricas a partir de hoje. Segundo Acácio Tembe, chefe do Departamento de Previsão do Tempo, estão previstas chuvas fortes, entre 50 e 100 milímetros em 24 horas, nas províncias de Maputo, Gaza e sul de Inhambane, associadas à passagem de um sistema de baixas pressões combinado com a zona de convergência intertropical. Manica, Sofala e Tete deverão continuar a registar chuva moderada a forte, entre 30 e 50 milímetros, mantendo elevados os níveis de risco hidrológico.

Perante este cenário, o porta-voz do INGD, Paulo Tomás, assegurou que foram pré-posicionados barcos e bens de emergência nos distritos críticos, ao mesmo tempo que decorrem acções de sensibilização através de rádios comunitárias, brigadas móveis e líderes locais. As autoridades procuram, assim, mitigar os impactos imediatos, numa altura em que a evolução do quadro meteorológico pode rapidamente transformar situações de alerta em emergências de grande escala.

Os efeitos das chuvas começam igualmente a traduzir-se em perdas materiais significativas. Na província do Niassa, 11 famílias ficaram desalojadas no posto administrativo de Lúrio-sede, distrito de Cuamba, devido ao desabamento de habitações maioritariamente construídas com materiais locais, revelando a fragilidade das infra-estruturas rurais. Em Magude, na província de Maputo, a precipitação destruiu infra-estruturas, áreas de cultivo e pastagens, afectando mais de oito mil bovinos e isolando várias localidades, um quadro que aponta para potenciais impactos prolongados na economia familiar e na segurança alimentar.

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