Com milhares de alunos professores afectados pelas cheias, Gaza enfrenta uma ruptura no seu sistema educativo e admite não ter condições para o arranque do ano lectivo. No entanto, a decisão sobre o arranque das aulas no dia 30 de Janeiro deverá tomada hoje pelo Executivo.
De acordo com o director provincial da Educação e Cultura, Ferrão Bambo, mais de 120 mil alunos dos diferentes subsistemas de ensino encontram-se actualmente deslocados ou afectados pelas inundações que assolam a província. Em paralelo, mais de oito mil professores estão igualmente fora das suas zonas habituais de residência ou impedidos de regressar aos postos de trabalho devido à destruição de estradas e ao corte de acessos, o que compromete não apenas a abertura das aulas, mas a própria organização mínima do processo de ensino.
“Faltando uma semana para o início oficial das aulas, e tendo em conta os aspectos organizacionais, pedagógicos e logísticos, não temos condições para o arranque do ano lectivo nas datas marcadas”, afirmou Ferrão Bambo, sublinhando que estão comprometidas tarefas essenciais como a formação de turmas, elaboração de horários, distribuição do livro escolar e afectação de docentes às escolas. Segundo explicou, a província já fez chegar esta posição ao nível central, defendendo que se pondere o adiamento do início das aulas.
A crise reflecte-se também na infra-estrutura escolar. Mais de 250 salas de aula estão total ou parcialmente destruídas e, em 11 dos 14 distritos da província, várias escolas continuam transformadas em centros de acomodação, acolhendo mais de 81 mil pessoas vítimas das cheias. Para o sector, esta realidade consolida a convicção de que, em Gaza, o desafio já não é apenas recuperar o calendário, mas reconstruir condições mínimas para que a escola volte a existir como espaço de aprendizagem.