Centenas de pessoas manifestaram-se hoje na cidade costeira de Durban, na África do Sul, contra a imigração ilegal, numa marcha convocada por grupos anti-imigração, no contexto de uma onda de xenofobia no país.
“O nosso principal objetivo é dar prioridade à África do Sul e garantir que, neste país, o Estado de direito seja respeitado por todos os meios possíveis; por isso, apelamos aos homens para que liderem esta marcha”, afirmou a fundadora do movimento, Jacinta Ngobese-Zuma, cuja organização associa a presença de migrantes ao aumento da criminalidade neste país que é vizinho de Moçambique.
Durante o percurso, que decorreu desde o Albert Park até à esquadra de Point, em Durban, foram entoadas canções de luta e exibidas faixas com o lema “já chega”.
“O tempo dos discursos acabou, é hora de agir; pedimos mais presença policial e câmaras de vigilância nas nossas ruas para combater a violência de género e tornar as comunidades mais seguras”, reivindicou um dos porta-vozes do coletivo, Lindani Xulu, citado pela agência espanhola de notícias, a Efe.
A manifestação em Durban, que inicialmente se centrava na migração irregular, acabou por se voltar contra a violência machista depois de ter subido para 12 o número de mulheres assassinadas no município de Ekurhuleni, a leste de Joanesburgo, onde, até ao momento, há quatro pessoas detidas por estes homicídios.
A jornada de protesto teve lugar um dia depois de o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, se ter dirigido à nação para anunciar um pacote de medidas de emergência destinadas a reforçar a resposta do Estado à violência contra mulheres e crianças.
Entre os anúncios de Ramaphosa contam-se uma operação nacional para resolver casos pendentes, a redução dos atrasos na análise de provas forenses, auditorias de segurança nos municípios e a criação de um conselho nacional sobre violência de género e feminicídio.
Os grupos anti-imigração culpam os migrantes pelos problemas económicos da África do Sul, pela prestação deficiente de serviços públicos e pelas elevadas taxas de criminalidade, e, nesta manifestação, associaram a problemática da violência de género à presença de estrangeiros indocumentados.
Cerca de 180 mil cidadãos do Zimbabué, do Maláui, do Gana, de Moçambique, da Nigéria, do Quénia, do Uganda, da Tanzânia e da República Democrática do Congo (RDCongo) foram repatriados para os seus países de origem nos últimos meses, no contexto de uma onda de xenofobia contra os migrantes africanos, de acordo com dados oficiais fornecidos pelos respetivos governos.
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