O Grupo Banco Mundial vai mobilizar cerca de 2,5 mil milhões de dólares para apoiar Moçambique ao longo dos próximos cinco anos, no âmbito do novo Quadro de Parceria Nacional (CPF) 2026–2031, aprovado semana passada pelo Conselho de Administração da instituição financeira internacional. A nova estratégia surge num contexto de elevada vulnerabilidade climática, agravada pelas cheias que afectam vários pontos do país, e aposta num modelo de crescimento económico inclusivo, resiliente e fortemente orientado para a criação de emprego, sobretudo para jovens e mulheres.
De acordo com o Banco Mundial, o envelope financeiro global será canalizado prioritariamente para sectores considerados estratégicos para a transformação económica de Moçambique, com destaque para: Energia: expansão do acesso à electricidade, reforço da fiabilidade do sistema energético e apoio a iniciativas ligadas à electrificação produtiva, alinhadas com programas como a Mission 300; Agronegócio: fortalecimento das cadeias de valor agrícolas, promoção do agroprocessamento, melhoria da logística rural e ligação dos pequenos produtores aos mercados, incluindo através da iniciativa AgriConnect; Turismo: dinamização de investimentos privados, valorização dos corredores turísticos e criação de empregos locais, sobretudo em zonas com elevado potencial natural e cultural.
Embora o Banco Mundial não detalhe a repartição exacta dos 2,5 mil milhões de dólares por sector, fontes ligadas ao processo indicam que energia e agronegócio deverão absorver a maior fatia dos recursos, por serem áreas com impacto directo na produtividade, na industrialização e na criação rápida de postos de trabalho.
O CPF está igualmente alinhado com os esforços do Governo moçambicano para revitalizar os corredores económicos, considerados essenciais para reduzir custos logísticos, atrair investimento privado e integrar melhor o país nos mercados regionais e globais. Além do investimento sectorial, a estratégia define quatro grandes resultados a alcançar até 2031, nomeadamente: 1. Reforço da estabilidade macrofiscal, num contexto de elevada pressão sobre as finanças públicas; 2. Melhoria das competências da força laboral, com foco na empregabilidade dos jovens; 3. Expansão do acesso à energia e dinamização dos corredores económicos; 4. Aumento do emprego gerado pelo sector privado, sobretudo no agronegócio e turismo.
Segundo Fily Sissoko, Director de Divisão do Banco Mundial para Moçambique e outros países da região, o novo ciclo representa um “ajustamento selectivo” da intervenção da instituição, colocando a criação de emprego no centro da parceria. “Ao concentrarmo-nos nos corredores económicos e em sectores com elevado potencial de criação de postos de trabalho, como energia, agronegócio e turismo, procuramos mobilizar cerca de 2,5 mil milhões de dólares, ajudando Moçambique a transformar a sua riqueza natural em oportunidades concretas”, afirmou.
Para maximizar o impacto do financiamento, o Grupo Banco Mundial recorrerá a instrumentos financeiros combinados, incluindo garantias, financiamento misto (blended finance) e serviços de consultoria, com o objectivo de atrair investimento privado nacional e estrangeiro.
Analistas consideram que o novo CPF reflecte uma mudança clara de foco: menos ênfase em projectos isolados e mais investimento em sistemas económicos capazes de resistir a choques climáticos, gerar emprego sustentável e reduzir desigualdades estruturais.
Num país onde mais de metade da população é jovem e o emprego formal continua limitado, o sucesso da estratégia dependerá não apenas do volume financeiro mobilizado, mas também da qualidade da execução, da coordenação institucional e da capacidade de transformar crescimento em oportunidades reais para a maioria dos moçambicanos.