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FMF recua, mas aperta cerco à LMF após colapso do Moçambola-2025

A Liga Moçambicana de Futebol (LMF) manterá, pelo menos por agora, a organização e gestão do Moçambola. Mas a decisão da Federação Moçambicana de Futebol (FMF) vem acompanhada de um aviso político claro: a continuidade da LMF no comando do principal campeonato nacional está condicionada a uma mudança de postura, mais rigor, mais transparência e maior capacidade de gestão, depois de uma época que “terminou sem terminar.”

O encontro realizado na semana passada entre o presidente da FMF, Feizal Sidat, e o presidente da LMF, Alberto Simango Júnior, teve como pano de fundo uma competição mergulhada numa crise de credibilidade. A edição de 2025 ficou por concluir, alegadamente por constrangimentos financeiros, deixando o Moçambola sem campeão homologado, sem quadro competitivo fechado e sem respostas públicas consistentes. Uma anomalia grave num campeonato profissional, que expõe fragilidades estruturais no modelo de gestão e no financiamento da prova.

Foi nesse contexto que, há cerca de duas semanas, a FMF anunciou a intenção de reassumir o controlo do Moçambola, criando uma comissão de trabalho para apurar responsabilidades e estudar um novo modelo competitivo. O recuo agora formalizado não representa, porém, um “cheque em branco” à LMF, mas antes uma tentativa de reordenar a relação institucional e de submeter a Liga a um processo de avaliação e alinhamento jurídico.

Falando à imprensa, o vice-presidente da FMF para as Relações Públicas e Marketing, Gervásio de Jesus, esclareceu que a Federação não irá, para já, organizar directamente o campeonato. “Não vamos retirar o Moçambola à LMF”, afirmou, sublinhando, contudo, que o comunicado recente teve como objectivo “chamar a atenção” para a gravidade do que ocorreu. Para a FMF, não era aceitável que se projectasse o Moçambola-2026 sem o encerramento formal da época anterior, um vazio competitivo e legal que, segundo reconheceu, exigia análise rigorosa.

Do encontro resultou o entendimento de que FMF e LMF deverão desenvolver um trabalho conjunto de clarificação legal, institucional e organizacional, condição para que a Federação volte a adjudicar formalmente a prova à Liga. Na prática, trata-se de uma tentativa de reconstruir bases mínimas de governação para um campeonato que perdeu previsibilidade, fiabilidade e atractividade.

Ao admitir que o Moçambola deve ser encarado “de forma global”, por envolver múltiplos actores e sensibilidades, a FMF reconhece implicitamente que a crise não é apenas financeira, mas também estrutural. O desafio colocado à LMF não é apenas terminar campeonatos, mas reconstruir a confiança de clubes, patrocinadores, adeptos e parceiros institucionais. Sem isso, qualquer novo modelo corre o risco de repetir um ciclo de instabilidade que tem vindo a fragilizar o futebol moçambicano.

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